“Coisa Mais Linda” é o poder de união das mulheres

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Todos nós temos conhecimento das cartilhas de comportamento, dos livros de etiquetas, da pressão social que existia sobre as mulheres por volta dos anos 50. “Tem que arrumar a casa para quando o marido voltar do trabalho”, “ele vai estar cansado, trate-o bem, sirva um drink e esteja com o jantar pronto”, “eduque os filhos, mas principalmente cuide para que não façam bagunça na hora de descanso do seu marido”, dicas básicas dadas às mulheres que almejavam um casamento feliz. Sem poder dar qualquer opinião, nossas antepassadas viverem um longo tempo acreditando que amar um homem era se submeter às vontades que eles tinham.

Lançada em março pela Netflix, a série original “Coisa Mais Linda” retrata o final dos anos 50 e início dos 60 no papel de quatro mulheres que buscam um lugar de destaque PROFISSIONAL num ambiente dominado pela arrogância machista. E não se trata só desse desafio, mas escancara o racismo de uma sociedade escravocrata, a violência doméstica, abusos sexuais e psicológicos entre várias outras questões que a nossa sociedade ainda precisa superar.

Foto: Divulgação

Duas empreendedoras, uma cantora e uma jornalista: Maria Luiza (Maria Casadevall), Adélia (Pathy Dejesus), Thereza (Mel Lisboa) e Ligia (Fernanda Vasconcellos) se unem para batalhar por seus sonhos e desejos de se tornarem mulheres independentes.

Enquanto Malu e Adélia enfrentam diferenças sociais entre si para abrir o clube de música Coisa Mais Linda, Thereza passa por batalhas pessoais (a perda e impossibilidade de ter um filho) ao mesmo tempo que almeja o cargo de editora chefe de uma revista feminina escrita somente por homens e, por fim, Ligia, dona de uma bela voz, procura palcos clandestinos para poder exercer seu dom de canto sem que o marido saiba.

Todos os ambientes pelos quais as protagonistas circulam são extremamente machistas: a indústria musical não confia nas ideias de Malu, paulista abastada que tenta a vida independente no Rio de Janeiro. Após ter seu clube de música  esnobado pelo principal empresário de músicos da Bossa Nova, Maria Luiza corre atrás do seu sonho para mostrar que a ideia tem muito potencial. Thereza tem brigas diárias com os funcionários da revista Ângela, onde trabalha, pois todos os redatores são homens que alegam “as mulheres não querem ler sobre isso. Querem dicas de que roupa usar no primeiro encontro”. Ligia vive numa ambiente familiar que a oprime por ser mulher. Seu marido e sua sogra a pressionam para que se comporte como uma dama e uma moça de família, impondo que pare de cantar em casas noturnas, pois esta seria a profissão de “mulheres vulgares”, ainda por seu marido almejar a disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro. E deixei o caso da Adélia para o final por considerar o mais importante de todos. A personagem de Pathy Dejesus é a que mais precisa lutar para conquistar seu espaço: negra, empregada doméstica e mulher, Adélia enfrenta diariamente não só o machismo, mas o racismo e as diferenças sociais enquanto ascende para se tornar sócia do clube Coisa Mais Linda.

Agora, por que o título sobre o poder de união das mulheres? Bom, ao longo da série, as protagonistas ficam cada vez mais próximas, uma sempre suporta as lutas das outras, cria-se um vínculo que, ao meu ver, é a alma da série. Já aguardamos uma segunda temporada que enalteça a força dessas amizades, pois o que mais precisamos é de sororidade.

“Coisa Mais Linda” é uma série que se passa no Rio de Janeiro, bem na época em que nascia a Bossa Nova, então dá para acreditar que a trilha sonora é bem gostosinha. A fotografia das cenas também é maravilhosa, um dos pontos técnicos mais altos da série, que mantém o bom padrão ao longo de todos os capítulos, completamente condizente com o época que retrata. A única crítica negativa está na artificialidade dos diálogos e, em alguns momentos, na pressa para desenrolar a trama. Algumas história são deixadas de lado, a principal é a crise entre a Malu e o pai. Mas ainda assim, muito ansiosa pela segunda temporada.

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Coisa mais linda é protagonizar sua própria vida.

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