Valparaíso: a cidade chilena que você precisa conhecer

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Chegar em Valparaíso é como se transportar para uma cidade dos anos 50. Localizada no litoral do Chile, a 1h30 partindo de Santiago, Valpo, como é chamada pelos locais, é Patrimônio Cultura da Humanidade pela UNESCO e também uma das cidades mais apaixonantes que já visitei. Diversos grafitis dividem o espaço nas paredes das casas coloridas que se aglomeram no topo dos Cerros. Para fortalecer a presença histórica que deu o título à cidade, os ônibus elétricos (Trolebus) são tão antigos que eu não era nem nascida na época que já circulavam por lá.

Explica porque Pablo Neruda tinha uma casa no topo de um dos morros. É fácil se inspirar observando o porto com um pôr do sol maravilhoso, que alaranja todo o céu sobre o Oceano Pacífico, enquanto os barquinhos de pesca e grandes cargueiros balançam suavemente no movimento do mar.

Roteiro:

Uma das melhores dicas para Valparaíso é fazer todos os passeios a pé. Primeiro porque você dificilmente vai achar vaga para parar o carro na parte mais turística da cidade. Segundo que a cidade é repleta de pequenas galerias, escadas, lojas e restaurantes que só ao andar você será capaz de explorar cada detalhe. Para alcançar a parte alta da cidade, onde estão os melhores restaurantes e comércio, é necessário usar os famosos ascensores, elevadores compactos que sobem uma diagonal e te levam para o topo, sempre por preços bem baratos para subir e descer.

Em minha passagem pela cidade, peguei primeiro o Ascensor Concepcíon, que te leva para o Paseo Gervasoni. Saindo das instalações do funicular, na esquina, à direita, encontra-se o Museu Mirador Lukas, que atraiu minha atenção pelas figuras moldadas em aço que estavam próximas ao portão. Ao visitar o museu, dei de cara com a casa do cartunista italiano Renzo Pecchenino Raggi, que se mudou para Valparaíso com um ano de idade e cresceu na cidade portuária do Chile. Lukas é o nome que adotou para produzir charges sociais e políticas para jornais e revistas da região chilena, colaborando, também, para o jornal Cruzeiro, aqui no Brasil. Vale a pena passar um tempo no museu se divertindo com as charges.

Depois de conhecer o cartunista, comecei a explorar as ruas do Cerro Concepcíon que tem, também, o Paseo Atkinson, as Inglesias Luterana e a Anglicana e, no meio do caminho de todos esses pontos, diversas galerias de arte e lojinhas que são preciosas para encontrar artesanatos locais.  Depois dessa primeira parte do passeio, parei para almoçar e posso afirmar que se come muito bem em Valparaíso (muito melhor que em Santiago). Fiquei um dia só na cidade e comi dois dos melhores pratos da viagem que fiz para o Chile.

O restaurante do almoço foi o Café del Pintor. Antes de me arriscar, fiz uma busca de dos points gastronômicos seriam interessantes experimentar em Valparaíso, e encontrei indicação desse lugar. Bom, é muito fácil encontrar o Café, basicamente é a casa que possui toda a fachada (porta e janelas) pintada com desenhos detalhados e coloridos – abaixo segue o serviço 😉. Além da refeição maravilhosa que tive, um peixe local ao molho de limão, acompanhado de risoto de cogumelos + um musse de manjar (doce de leite), o preço também era bem justo – o almoço executivo, com entrada, prato principal e sobremesa, saiu por CLP 7.990, cerca de R$47,94 (valor de mai/2019).

Após comer muito bem, continuei o caminho pelas ruazinhas de Valparaíso, cheguei ao Paseo Dimalow e pegamos o Ascensor Reina Victoria para descer. Essa parte do trajeto não foi muito interessante, pois depois tive uma caminhada considerável para alcançar novamente o topo do Cerro Concepcíon e poder andar para o lado do Cerro Alegre. Após a segunda parte do dia, terminei a caminhada descendo a Calle Urriola, para ver a Plaza Sotomayor, com o Monumento a Los Héroes de Iquique, parte da cidade que pode ser facilmente cenário dos anos 50. Depois foi só andar 3 minutos para chegar na beira do porto e poder observar por longos minutos o funcionamento do porto. – O guarda do monumento chegou a comentar comigo que um dos melhores ascensores para visitar é o Artillería, mas infelizmente não tive tempo de ir até ele, fica na  ponta do porto e oferece uma vista panorâmica da cidade.

Como me hospedei no Ibis, sem restaurantes bons na região, decidi subir novamente para o Cerro Concepcíon para pode jantar. Pesquisei outro restaurante e fui ao badalado Tres Peces, inaugurado em 2018 e o primeiro de Valparaíso a servir somente peixes e mariscos oriundos de pesca responsável, com produtos capturados em temporada, com métodos sustentáveis. Para o jantar, pedi um Pisco Sour (drink tipico do Chile) para acompanhar um prato de escondidinho de caranguejo. Meu irmão pediu, de sobremesa, um Profiterole que é o show da casa: recheado com sorvete de creme, coberto com chocolate e um “capacete” de fios de caramelo. Esse restaurante foi um pouco mais caro, só o prato saiu cerca de 6900 pesos, cerca de R$41, mas ainda valeu cada centavo.

Como disse no início, fiquei só um dia em Valparaíso, muito pouco tempo para poder provar todos os sabores que a cidade tem a oferecer. Se você procura um passeio gastronômico, o lugar é Valparaíso. Já planejo a minha volta a esse lugar, garimpando novos restaurante e ruazinhas para explorar.

Observação:

Cheguei em Valparaíso com um certo medo, os chilenos arregalam os olhos e te assustam, afirmando que que a cidade é perigosa, com muitos assaltos e furtos. Todos nos recomendaram andar com pouco dinheiro e manter máquinas fotográficas bem guardadas. Bom, precisamos levar em consideração que é uma cidade portuária, existem malandros sim, mas todo cuidado em viagem é sempre bom, né? Até no Vaticano ocorrem furtos.

SERVIÇOS:

Museu Mirador Lukas
Paseo Gervasoni, 448 – Cerro Concepcíon
Horários: Terça a sexta, 10h30 às 18h30 | Sábado e domingo, 11h às 19h

Resestaurant Café del Pintor
Calle Urriola, 652 – Cerro Alegre
Horários: Segunda a sábado, 13h às 22h | Domingo, 13h às 18:00.

Restaurant Tres Peces
Calle Abtao, 644 –  Cerro Concepción
Horários: Segunda a sábado, 13h às 17h e das 20h às 23h | Domingo, 13h às 17h.

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